Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sábado, 21 de janeiro de 2017

Com o apoio dos trabalhadores e da classe média empobrecidos, Trump e Theresa May irão enterrar a Globalização Neoliberal! - Marcos Doniseti!

Com o apoio dos trabalhadores e da classe média empobrecidos, Trump e Theresa May irão enterrar a Globalização Neoliberal! - Marcos Doniseti!
Da mesma forma que Reagan e Thatcher impuseram a Globalização Neoliberal goela abaixo do mundo inteiro, Trump e Theresa May parecem dispostos a enterrar a mesma.

No Brasil, devido à burrice e desinformação imensa que atinge as suas elites e a sua classe média reacionária, que são muito influenciadas (para dizer o mínimo) por uma Grande Mídia retrógrada e mentirosa, a ficha demora para cair. 


Logo, elas ainda não perceberam que Trump é anti-Globalização Neoliberal, à qual as elites tupiniquins veneram acima de tudo. 

E não é apenas o Trump que é anti-globalização neoliberal. 

A Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido, também é. E vejam que ela é do Partido Conservador, o mesmo de Thatcher, da mesma maneira que Trump é do Partido Republicano, o mesmo de Reagan. 

E foram Reagan e Thatcher que espalharam a Globalização Neoliberal pelo Mundo, usando do FMI e do Banco Mundial como instrumentos de imposição das políticas de abertura unilateral das economias dos países em desenvolvimento, obrigando os mesmos a arrochar salários, eliminar direitos trabalhistas e previdenciários, cortar drasticamente os investimentos públicos em infra estrutura e na área social. 

Marine Le Pen, que estará no segundo turno da eleição presidencial francesa (que irá se realizar em Maio de 2017) também é contra a Globalização Neoliberal, afirmando publicamente a sua posição a favor de um Nacionalismo Econômico. Na Itália, o maior partido do país, o 'M5S' (Movimento Cinco Estrelas, liderado por Beppe Grillo) também adota um discuso anti-Neoliberal, exigindo o fim das políticas de arrocho. 
O custo de mão-de-obra na indústria de automóveis dos EUA é cinco vezes do que no México, o que explica porque tantas indústrias se instalam no país vizinho a fim de exportar a produção para o mercado ianque. Porém, Trump já avisou que irá fechar o mercado para tais empresas, obrigando-as a produzir os veículos nos EUA.

Na Espanha, o 'Podemos' (liderado por Pablo Iglesias) surgiu há pouco tempo como uma força política que também condena a Globalização Neoliberal e já é o terceiro maior partido do país, quase empatado com o tradicional e histórico PSOE de Felipe González, que se converteu inteiramente ao Neoliberalismo. 


Em Portugal, tivemos a eleição de um governo de Esquerda moderada (formado pelos Partidos Socialista, Comunista, Verdes e o Bloco de Esquerda) que enterrou as políticas neoliberais e de arrocho. Com isso, a economia lusa é, agora, uma das que mais cresce na UE e o desemprego está diminuindo de forma significativa. 

E antes de todos estes países, tivemos a Grécia elegendo o Syriza, outra força política contrária às políticas neoliberais e de arrocho, mas que foi massacrada pela UE (pela Alemanha de Merkel em especial), que impediu que o país adotasse políticas favoráveis ao crescimento econômico e à justiça social. 

A forma brutal com que a Grécia foi tratada pela Alemanha mostrou, com certeza, para muitos europeus, que não havia alternativa: Ou seus países abandonavam a UE ou então estariam sempre sob o domínio germânico, sendo proibidos de enterrar as políticas neoliberais. Isso ajuda, e muito, a explicar porque os britânicos decidiram retirar o Reino Unido da União Europeia. E a nova Primeira-Ministra, Theresa May, já avisou: Esta saída será completa. 
A Síria: Antes e depois da Guerra que teve os EUA como um dos maiores responsáveis, armando e apoiando os grupos de extremistas islâmicos, incluindo o 'Estado Islâmico'/Daesh.

No fim das contas, o Trump, junto com Theresa May, pode acabar liderando a formação de um novo bloco de países, construindo um outro tipo de relação econômica e comercial entre os mesmos, mais parecida com o que a China e a Rússia estão fazendo com o projeto 'Um Cinturão, Uma Estrada', no qual todos os 

países se beneficiam. 

É o que o Pepe Escobar chama de relação 'Ganha-Ganha', enquanto que na Globalização Neoliberal apenas os Grandes Capitalistas (dentro de cada país) lucram. Ou vocês acham que o fato de que apenas oito bilionários possuam mais riqueza do que os 3,6 bilhões mais pobres do planeta é uma mera coincidência? 

Claro que não é. 

Afinal, a imposição de políticas neoliberais (em todos os países, ricos e emergentes) sempre resulta no aumento da concentração de renda, das desigualdades sociais, da pobreza e da miséria. 

E muito diferente do que se pensa, a maioria da população dos EUA (classe média, classe trabalhadora industrial, pobres) também foi muito prejudicada pela Globalização Neoliberal. 

A população dos EUA passou a comprar produtos chineses e mexicanos baratos, o que contribuiu para manter a inflação sob controle? 

Sim. 
Os EUA lançaram mais de 26 mil bombas em sete países apenas no ano de 2016. E dizer que Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz.

Mas os EUA também passaram por um processo de desindustrialização acelerada que está destruindo e empobrecendo a classe trabalhadora industrial e a classe média do país, aumentando muito a concentração de renda e as desigualdades sociais. 


A partir da década de 1970 a concentração de renda aumentou muito no país. Agora, os 20% mais ricos possuem mais riqueza do que outros 80%. A classe média está encolhendo e empobrecendo, sendo que a sua renda média é 7% menor do que era em 1999, mesmo com o PIB per capite tendo crescido consideravelmente neste período.

Os EUA também tem os piores índices de criminalidade entre todos os países desenvolvidos. E ainda possuem 47 milhões de pessoas que somente conseguem comer porque ganham um cupom do governo e o trocam por alimentos nos mercados (é o programa Food Stamp, criado por Franklin D. Roosevelt na época da Grande Depressão como parte do 'New Deal'). 

E apesar da aprovação do Obamacare, 30 milhões de habitantes dos EUA ainda não tem acesso a um plano de saúde. 
Local abandonado de Detroit que abrigou uma fábrica da Ford e que foi transferida para outro país. Nas últimas décadas os EUA passaram por um rápido processo de desindustrialização, devido à transferência de inúmeras unidades de produção para países como o México e a China. 

Atualmente, 58% dos empregos que são criados nos EUA são precários, que são caracterizados por baixos salários, longas jornadas de trabalho, virtual inexistência de benefícios ou de benefícios muito limitados (principalmente plano de saúde e previdência social) e total impossibilidade de ascender na carreira. 


E isso aconteceu porque as políticas neoliberais globalizantes destruíram os sindicatos, visto que a espinha dorsal do movimento sindical eram os trabalhadores industriais. E as indústrias foram embora dos EUA, para o México e para a China, principalmente. 

Antes do governo Reagan, pouco mais de 24% dos trabalhadores do setor privado dos EUA eram sindicalizados e, com isso, conseguiam negociar e conquistar bons salários, muitos benefícios e boas condições de trabalho. Agora, esse índice de sindicalização é de apenas 6,7%. 

Neste momento, 35% dos trabalhadores dos EUA são precários. E o percentual aumenta a cada ano, já que a maioria absoluta dos novos empregos que são criados também são precários. 
A porcentagem de trabalhadores sindicalizados despencou nos EUA nas últimas décadas. Em 1955, 35% dos trabalhadores dos EUA pertenciam a algum sindicato. Em 2015 esse percentual era de apenas 11%. Entre os 31 países membros da OCDE, os EUA estão apenas na 27a. posição em porcentagem de trabalhadores sindicalizados. 

Logo, os EUA são um país rico que estão construindo relações de trabalho típicas de países subdesenvolvidos. É como se tivéssemos um grande Bangladesh dentro da sua economia. E essa 'Economia de Bangladesh' cresce a cada ano que passa. 


Quando comentamos sobre tudo isso a impressão que temos é que estamos falando sobre um país pobre e subdesenvolvido, mas não é o caso. Trata-se da nação mais rica do mundo, com um PIB de US$ 18 trilhões (cerca de 23% do total mundial), uma renda per capita de US$ 55.000 e que possui um orçamento militar de US$ 1,5 trilhão anuais, o que representa 43% dos gastos militares mundiais.  

Assim, a participação dos gastos militares dos EUA no total mundial é quase o dobro da participação do PIB do país no total global, demonstrando claramente o quanto tais gastos são exagerados. 

E é exatamente destes gastos que Trump pode retirar os recursos necessários para financiar os seus projetos de reindustrialização dos EUA e de investimentos em infra-estrutura (ele pretende investir US$ 1 trilhão em 10 anos no setor). 
O número de greves com a participação de 1000 trabalhadores ou mais despencou nos EUA a partir do governo Reagan. Na década de 1970 ou 1980 o número de greves (média anual) foi de 280. Em 2015 foram apenas 12. Nos EUA, os trabalhadores sindicalizados recebem salários melhores e tem melhores planos de saúde e de previdência social do que os que não são sindicalizados. E as diferenças de salários entre homens e mulheres também são menores entre os sindicalizados. 

O que Trump vai fazer, em seu governo, é dar uma série de estímulos para reindustrializar os EUA:


A) incentivos fiscais;

B) subsídios;

C) aumento de tarifas de importação;

D) financiamentos em condições favoráveis.

O nome disso é Política Industrial, expressão essa que os Neoliberais odeiam, pois entendem que se trata de uma 'interferência indevida' do Estado sobre a economia. 

O que os neoliberais não dizem é que é graças a essa 'interferência do Estado na economia' que países como EUA, Alemanha, França e, também, o Brasil cresceram e se desenvolveram. 

Nos EUA, por exemplo, as pesquisas em ciência e tecnologia são, essencialmente, financiadas pelo Estado. Os gigantescos gastos militares e, no passado, na indústria aeroespacial  (NASA) são maneiras pelas quais o Estado subsidia indústrias privadas que investem tais recursos em novas tecnologias. 
'O Precariado': Livro de Guy Standing mostra que um percentual cada vez maior de trabalhadores dos países desenvolvidos são precários. E é justamente isso que levou à vitória do Brexit, de Trump e do 'Não' no referendo italiano convocado por Matteo Renzi. 

As empresas que conseguem os contratos com o Estado para atuar nestes setores são dos próprios EUA (Boeing, Lockheed Martin, entre outras). 


Assim, por meio dos maciços investimentos na área militar e aero-espacial, os EUA acabam adotando uma política industrial que subsidia e estimula a formação de grandes empresas privadas, que desenvolvem tecnologia de ponta, o que contribui decisivamente para o desenvolvimento econômico nacional.

Em seu livro 'O Estado Empreendedor' (página 134), a economista italiana Mariana Mazzucato também diz que empresas como a Apple receberam uma série de incentivos diretos e indiretos por parte do Estado, tais como: 

A) Investimento direto de capital nos estágios iniciais de criação e crescimento; 

B) Acesso à tecnologias resultantes de programas de pesquisa governamentais, iniciativas militares e contratos públicos, ou desenvolvidas por instituições de pesquisa públicas, todas financiadas com recursos federais ou estaduais;
O livro 'O Estado Empreendedor', da economista italiana Mariana Mazzucato, prova que o Estado sempre teve um papel fundamental no desenvolvimento de pesquisas que resultam em novas tecnologias. Graças à elas, pequenas empresas como a Apple puderam crescer e se desenvolver, tornando-se grandes corporações. 
C) Criação de políticas fiscais, comerciais ou de tecnologia que apoiavam empresas americanas como a Apple, permitindo que elas mantivessem seus esforços voltados para a inovação em períodos nos quais os desafios nacionais e/ou mundiais impediam que as empresas norte-americanas continuassem à frente, ou faziam com que ficassem atrás na corrida pelos mercados mundiais.

Mazzucato também diz, em seu livro, que "Quando a Apple foi criada para vender o 
Apple 1 em 1976, as tecnologias básicas do produto estavam fundamentadas em técnicas desenvolvidas com investimentos públicos feitos nas décadas de 1960 e 1970 na indústria de computadores" (página 135). 

Então, o que Trump quer fazer nos EUA, durante o seu governo, não é nenhuma novidade. Ele apenas está adotando, em benefício de outros setores da economia do país, uma série de políticas públicas de apoio e fortalecimento industrial e tecnológico que já beneficiam, há muito tempo, os setores militar, de informática, entre outros. 

Lula fez o mesmo no Brasil, principalmente em setores como petróleo, a construção civil e a construção naval, com a política de conteúdo nacional para a construção de sondas, plataformas e navios a fim de poder explorar o petróleo do pré-sal. 
A concentração de renda aumentou muito nos EUA entre 1970 e 2013. Os 20% mais ricos passaram a deter 51% da renda nacional, contra 49% dos outros 80% da população (classe média e trabalhadores pobres). 

A ideia do governo Lula era a de usar a exploração do pré-sal para desenvolver setores industriais cujas atividades estão diretamente relacionadas à exploração das gigantescas reservas do pré-sal, gerando renda e empregos no país.


Com isso, o Brasil passou a ter a 4a. maior indústria de construção naval do mundo e suas principais construtoras passaram a ganhar contratos para a construção de inúmeras obras pelo mundo afora, principalmente na América Latina e na África.

A respeito da atual situação econômica dos EUA e de sua população, podemos citar uma frase famosa do Ditador Garrastazu Médici: 'O país vai bem, mas o povo vai mal'. 

É por isso que quando o Trump fala que a população está empobrecendo, mesmo com as elites enriquecendo, ele sabe do que está falando. E a população dos EUA também, porque sentiu na pele todas estas mudanças que lhe foram imensamente prejudiciais. 

Trump venceu a eleição presidencial porque, mesmo sendo um membro da elite ianque, soube explorar esse descontentamento e apontou para medidas concretas que tomaria, para beneficiar os trabalhadores e a classe média, caso fosse eleito, como a promessa de tirar os EUA de acordos de livre-comércio (TPP), de renegociar outros (NAFTA) e, também, de reindustrializar os EUA por meio da adoção de uma política industrial (concedendo subsídios, incentivos fiscais, financiamentos facilitados, aumentando tarifas de importação).
Bernie Sanders era o mais progressista dos pré-candidatos presidenciais, defendendo um amplo conjunto de propostas de caráter social-democrata e keynesiana, mas o Partido Democrata sabotou a sua candidatura, beneficiando Hillary.

Quando o bloco soviético europeu desmoronou, um funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Francis Fukuyama, disse que, com o triunfo da Globalização Neoliberal liderada pelos EUA, a 'história havia chegado ao fim' pois, após o colapso do chamado 'Socialismo Real', não existiriam mais modelos alternativos ao livre-mercado e à 'democracia liberal' do Ocidente. 


As vitórias de Trump, o Brexit, a derrota de Matteo Renzi na Itália e todas as mudanças que estão ocorrendo no mundo atualmente mostram que a tese do 'fim da história' chegou ao fim.

Agora, existem alternativas à Globalização Neoliberal, sim. Gostem ou não delas. 

Entre as principais alternativas existentes à mesma, nós temos: 

A) Nacionalismo Econômico Protecionista de Trump, May, Marine Le Pen, entre outros;

B) Reformismo Social-Democrata Keynesiano do novo governo de Portugal, do 'Podemos' espanhol, de Bernie Sanders e do Syriza grego;

C) Globalização Inclusiva da China e Rússia, via projeto 'Um Cinturão, Uma Estrada', que é um gigantesco projeto de integração econômica, que procura atrair países da Europa, Ásia e África, e que é baseado na ideia de 'Ganha-Ganha', com todos os países se beneficiando, como já explicou o Pepe Escobar em seus inúmeros textos a respeito do assunto;

D) Nacionalismo Reformista e Progressista latino-americano (Lula-Dilma, Kirchner, Chávez-Maduro, Rafael Correa, Mujica-Tabaré, Michele Bachelet, Evo Morales, Daniel Ortega). 

Este último modelo entrou em crise em alguns países, mas ainda é cedo para enterrar o mesmo, até porque ele ainda está forte no Equador, Bolívia, Nicarágua, El Salvador e Chile e também não foi derrubado na Venezuela, apesar das inúmeras tentativas golpistas da oposição reacionária (realizadas com o apoio total dos EUA) e da fortíssima sabotagem que se promove contra a economia do país.
Chávez, Kirchner, Correa, Lula e Evo Morales formaram uma geração de governantes progressistas latino-americanos que promoveram reformas sociais e nacionalistas que reduziram fortemente a pobreza e a miséria na América Latina. Agora, os governos neoliberais de Macri e Temer estão empobrecendo rapidamente a população de Argentina e Brasil. E o México, também com governo neoliberal, sofrerá fortemente as consequências das políticas protecionistas de Trump.

Além disso, os novos governos neoliberais de Temer e Macri estão colhendo resultados catastróficos nas áreas econômica e social (uma forte Recessão, aumento do desemprego, da pobreza, da miséria, arrocho salarial, rápido aumento da Dívida Pública, eliminação de direitos trabalhistas e previdenciários) e isso está fortalecendo cada vez mais os nomes de Lula e Cristina Kirchner para a próxima eleição presidencial. 


Entre os países latino-americanos, aquele que mais irá sofrer as consequências das políticas nacionalistas e protecionistas que Trump irá adotar será, inegavelmente, o México. 

Trump já avisou Ford, GM, Toyota e BMW que se elas construírem fábricas no México para exportar a produção para os EUA, ele irá impor uma tarifa de importação de 35% sobre a mesma, inviabilizando tais investimentos. Não é à toa que o peso mexicano está se desvalorizando bastante desde a vitória de Trump.

E isso acontece em um momento no qual o governo neoliberal de Enrique Peña Nieto promoveu um forte aumento no preço dos combustíveis, o que provocou protestos imensos no país, que foram chamados de 'Gasolinazo' (referência ao 'Caracazo' venezuelano de 1989). 

É bom ressaltar, também, que tais governos neoliberais serão imensamente prejudicados pelas políticas nacionalistas e protecionistas que os governos de Trum e Theresa May irão adotar. 

O mundo está mudando rapidamente e a história está muito longe de terminar. 
As dívidas das famílias britânicas aumentaram fortemente entre 2000 e 2015. Apelar para o endividamento foi uma das soluções adotadas para compensar a redução do rendimento das famílias. 

Links:


Michael Moore avisou porque Trump era o favorito:


http://www.brasilpost.com.br/michael-moore/donald-trump_b_11217240.html

Trump anuncia saída dos EUA do TPP e renegociação do NAFTA:

http://expresso.sapo.pt/internacional/2016-11-22-Trump-anuncia-primeiras-medidas-EUA-fora-do-acordo-transpacifico

Theresa May e Donald Trump são aliados:

http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/linhas-cruzadas/detalhe/esconde-theresa-may-um-donald-trump

George Soros ataca Trump:

http://expresso.sapo.pt/internacional/2017-01-20-Trump-e-um-aprendiz-de-ditador-que-vai-falhar-diz-George-Soros

Governos Lula/Dilma: Brasil passa a ter a quarta maior indústria de construção naval do Mundo:

http://www.defesaaereanaval.com.br/brasil-e-o-quarto-maior-construtor-naval-do-mundo/

Discurso de posse de Trump reafirma políticas nacionalistas e protecionistas:

http://observador.pt/2017/01/20/o-discurso-de-trump-descodificado-em-5-pontos/

Governo Temer determina que somente empresas estrangeiras participarão de obras da Petrobras no RJ:

https://www.brasildefato.com.br/2017/01/18/so-estrangeiras-participarao-da-licitacao-da-maior-obra-da-petrobras-dos-ultimos-anos/
Trump já avisou a várias empresas (Toyota, Ford, GM e BMW) que não irá permitir que eles fabriquem veículos no México e os exportem para os EUA. Se elas tentarem fazer isso, serão fortemente taxadas (em até 35%).

Depois de Ford, GM e Toyota, Trump ameaça taxar produção que BMW pretende exportar para os EUA a partir do México:


http://g1.globo.com/carros/noticia/2017/01/trump-tambem-ameaca-bmw-por-fabrica-no-mexico.html

México: 'Gasolinazo'  deixa 6 mortos e 1500 feridos:


Oxfam exalta política de aumento real para o Salário Mínimo adotada pelos governos Lula e Dilma:


Christine Lagarde dá bronca em Meirelles e defende que políticas que reduzem desigualdades sociais devem ser prioridade:


Guy Standing: A explosão de raiva dos eleitores ocidentais se deve ao crescimento do trabalho precário!


Pepe Escobar: Vitória de Trump foi revide do povo contra as elites:

A Dívida Pública dos EUA aumentou fortemente a partir dos governos de Bush Jr e de Obama, passando de U$ 7,3 trilhões (2004) para US$ 18,2 trilhões (2015). Isso aconteceu devido aos gigantescos gastos militares (Guerras do Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia, Ucrânia) e à salvação do sistema financeiro privado do país (que faliu em 2008). 

Políticas antissindicais aumentaram as desigualdades sociais nos EUA:


EUA: 58% dos novos empregos são precários:


O enfraquecimento dos sindicatos nos EUA:


EUA: Enfraquecimento dos Sindicatos prejudica a ascensão social e econômica dos filhos dos trabalhadores:

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Trump X Wall Street/Neocons: Quem vencerá? - Marcos Doniseti!

Trump X Wall Street/Neocons: Quem vencerá? - Marcos Doniseti!
Trump venceu a eleição presidencial nos EUA derrotando Republicanos e Democratas. Afinal, ele nunca foi o candidato preferido dos líderes Republicanos (que preferiam Ted Cruz). E depois ele derrotou Hillary, defensora de políticas neoliberais e imperialistas. 

Trump venceu a eleição presidencial devido ao fracasso do governo Obama!


E também não há como negar: Trump é protecionista. 

A maneira como ele ameaçou a Ford, GM e Toyota, caso estas instalassem novas fábricas no México, a fim de exportar a produção para os EUA, dizendo que iria elevar fortemente as tarifas de importação para tais veículos, mostra que ele não está para brincadeira. 

Ele se elegeu Presidente dos EUA, principalmente, por ter explorado o imenso descontentamento popular existente no país com o processo de desindustrialização, que gerou o empobrecimento e o encolhimento da classe média e da classe trabalhadora industrial. 

Isso levou à criação de uma ampla camada de trabalhadores precários (o Precariado, como a denominou Guy Standing), que ganham baixos salários, submetem-se a longas jornadas de trabalho, não tem nenhuma perspectiva de ascender na carreira e não desfrutam de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. 

Atualmente, quase 60% dos novos empregos que são criados nos EUA são precários e a cada década diminui a participação dos trabalhadores industriais, dos pobres e da classe média na renda nacional, enquanto aumenta a participação dos 20% mais ricos, que são o segmento que mais se beneficia com o processo de Globalização Neoliberal. 
Trump já avisou a Ford, a Toyota, a GM e a BMW de que não irá permitir a instalação de fábricas no México a fim de exportar a produção para os EUA. Trump não acredita no livre-comércio. 

Para reverter este processo, o governo de Trump vai querer promover o retorno de inúmeras industrias para os EUA, as mesmas que, nas últimas décadas, se transferiram para países com custos de produção bem inferiores aos dos EUA (México e China, principalmente). 


Para implantar tal política, Trump irá taxar fortemente as importações de produtos industrializados, principalmente as que são originárias do México e as da China.

É por isso que as falas de Trump a respeito do México e da China sempre são as mais agressivas. 

Adotar tal postura faz parte, na verdade, de uma estratégia de Trump que visa forçar os governos do México e da China a rever as suas políticas comerciais, de maneira a que a reindustrialização dos EUA, que Trump ambiciona promover, possa ser colocada em prática.

E se os governos chinês e mexicano se recusarem a fazer concessões (limitando por conta própria as suas exportações industriais para os EUA), Trump apelará para o protecionismo puro e duro. 

Por isso é que Trump 'fala grosso' com China e com México, para onde foram a maior parte das indústrias ianques nas últimas décadas (esse processo é chamado de 'deslocalização'). 
A concentração de renda aumentou bastante nos EUA entre 1970 e 2013. Neste período, a participação dos 20% mais ricos passou de 43% da renda nacional para 51%, enquanto que a participação da classe média caiu de 42% para 37% e a dos 20% mais pobres diminuiu de 15% para 12%.

Por isso é que Trump já avisou a Ford, GM e Toyota: Querem vender nos EUA? Então que produzam nos EUA. 


E para reindustrializar os EUA, o governo de Trump precisará de muito dinheiro, pois a política industrial que ele irá implementar fará uso de subsídios, incentivos fiscais, financiamento em condições favoráveis, aumento das tarifas de importação. 

Além disso, Trump quer investir US$ 1 trilhão em infra estrutura nos próximos 10 anos (portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, etc). 

E para fazer tudo isso o governo de Trump irá necessitar de muito dinheiro. Mas Trump terá que encontrar uma maneira de fazer tudo isso sem: 

A) Aumentar a inflação (devido ao encarecimento de produtos e insumos importados), o que derrubaria a sua popularidade; 

B) Aumentar os juros (FED), devido ao aumento do déficit público (afinal as despesas para infra-estrutura e para reindustrialização serão imensas), o que jogaria a economia dos EUA na recessão; 
As políticas neoliberais e de arrocho que foram impostas em muitos países nas últimas décadas levaram à formação do Precariado, que é formado por trabalhadores que recebem baixos salários, são submetidos à longas jornadas de trabalho, não tem acesso a direitos sociais, trabalhistas e previdenciários (ou tem, mas de forma muito limitada) e que não possuem qualquer perspectiva de ascender profissionalmente. 

C) Valorizar fortemente o Dólar (pois o aumento dos juros pelo FED atrairia muito capital para os EUA), o que prejudicaria as exportações dos EUA. 


Para atingir os seus objetivos sem provocar estes efeitos negativos é que o governo de Trump precisará de um mundo mais tranquilo, com menos guerras e gastos militares menores, pois as despesas com a reindustrialização e a recuperação da infra estrutura dos EUA serão imensas. 

Com menos guerras e conflitos, seria possível reduzir os gigantescos gastos militares dos EUA (US$ 1,5 trilhão anuais) e usar os recursos economizados para financiar reindustrialização e investimentos em infra-estrutura (US$ 1 trilhão em 10 anos) nos EUA. 

Assim, se o governo de Trump reduzisse os gastos militares e com guerras em 20%, ele teria US$ 300 bilhões para gastar com os seus planos (reindustrialização e infra estrutura). E com isso, seria possível neutralizar os efeitos negativos que estas políticas poderiam provocar (ver itens A, B e C). 

É justamente por isso Trump deseja dialogar e fechar acordos com a Rússia e também quer esvaziar a OTAN, reduzindo significativamente a participação dos EUA na mesma. 

Trump quer usar a OTAN na guerra contra o Terrorismo e não para ficar destruindo outros países (Síria, Líbia, que se transformaram em territórios livres para a atuação dos extremistas islâmicos originários do mundo inteiro). 
A Síria foi devastada pela Guerra. O país foi invadido por dezenas de milhares de extremistas islâmicos, originários do mundo inteiro, e que foram armados até os dentes pela OTAN-CCG-Turquia-Israel. 

Trump também não quer mais usar a OTAN para ficar provocando a Rússia na Ucrânia (como o medíocre e superestimado Obama fez), onde um Golpe de Estado ('Revolução Colorida') patrocinado por Obama/Hillary colocou neoliberais e neonazistas para governar o país. 


E este novo governo ucraniano iniciou uma guerra contra as regiões do Leste do país, que possuem fortes laços com a Rússia (étnicos, linguísticos, culturais, econômicos, comerciais). Trump deseja, assim, reduzir os gastos dos EUA com a OTAN.  

Logo, se os países europeus quiserem uma OTAN forte e atuante e que promova guerras pelo mundo afora, atuando como um 'Xerife Global', então eles que paguem por isso. 

Eles (Alemanha, França, R. Unido, Itália) que saiam pelo mundo fazendo guerras.

As mudanças que Trump quer promover representam o início do fim do domínio da banca mundial (Wall Street e associados) sobre o planeta.

E é em função disso que Trump está sendo tão atacado pela Grande Mídia e por Hollywood, que são sustentados por Wall Street. 
As desigualdades sociais cresceram fortemente no Reino Unido e em todos os países desenvolvidos nas últimas décadas, o que é criticado por Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista britânico que abandonou a Terceira Via neoliberal defendida por Tony Blair. Corbyn defende o estabelecimento de um Salário Máximo, a fim de se reduzir as diferenças entre os que ganham mais e aqueles que ganham menos.  

Hollywood e Grande Mídia não são mais lucrativos em praticamente lugar nenhum do 
Mundo. As novas mídias (Internet, Netflix, etc) estão enfraquecendo e levando ao desaparecimento de inúmeras publicações impressas e corroendo a audiência das grandes empresas de comunicação.

Exemplo disso é que as três maiores redes de TV dos EUA (CBS, ABC e NBC) tinham mais de 90% da audiência no início dos anos 1970 e, atualmente, elas chegam, no máximo, uns 25%. O grande público se bandeou para outras mídias (TV paga, Internet, Videogames, Netflix)

Também são poucos os filmes de Hollywood que geram lucros (praticamente só os blockbusters). 

Assim, como a Grande Mídia e Hollywood conseguem se manter? 

Wall Street banca. 

Literalmente. 

E isso acontece porque o papel atual das Mídias e de Hollywood não é o de gerar lucros, mas o de 'fazer a cabeça' da população mundial, exportando os heróis, valores, símbolos e estilo de vida ianques para o mundo inteiro. 
Síria? Iraque? Líbia? Não. Esta é uma antiga fábrica da Ford, que se localizava em Detroit, e que foi fechada devido ao processo de desindustrialização que atingiu com força aos EUA nas últimas décadas. Muitas destas fábricas foram transferidas para o México e China, onde os custos de produção são bem inferiores aos dos EUA. 

E isso, por sua vez, está intimamente associado às políticas expansionistas dos EUA pelo mundo inteiro, que visam criar uma Ditadura Global do país no seculo XXI (PNAC).


Os governos de Bush e de Obama entregaram o controle dos seus governos para Wall Street e para os Neocons (neofascistas defensores do PNAC, Projeto para um Novo Século Americano)

Por meio do PNAC, os EUA ambicionam implantar uma Ditadura Global e, para isso, querem impedir o surgimento de qualquer potência (mesmo que tenha alcance meramente regional) que possa contrariar aos interesses estratégicos dos EUA. 

Obama também tentou conter essa expansão (não-imperialista) do projeto russo-chinês do 'Um Cinturão, Uma Estrada' (que começou em 2013).

Tanto no caso da tentativa de expansão do poder dos EUA via PNAC, como no caso da política de contenção do aumento da influência da Rússia-China (que fizeram uma aliança estratégica) na Eurásia, os EUA usaram de várias políticas:
Dick Cheney, Donald Rumsfeld e Paul Wolfowitz estão entre os principais líderes dos Neocons. Bush Jr. adotou as políticas imperialistas e neoliberais do grupo após os atentados de 11/09/2001. 

A) Guerras por Procuração (Líbia, Síria);


B) Golpes de Estado e Processos de Desestabilização (América Latina, Ucrânia, Egito, Tunísia);

C) Espionagem Global (NSA);

D) Guerras Secretas (Drones e Forças Especiais).

Mas as políticas de Bush/Obama fracassaram totalmente. 

E internamente o governo de Obama nada fez para impedir a continuidade do processo de desindustrialização, de aumento da concentração de renda e do empobrecimento e encolhimento da classe média e da classe trabalhadora industrial. 

As desigualdades sociais continuaram aumentando em seu governo. 

Aliás, tais desigualdades sociais aumentaram tanto nos países desenvolvidos que até mesmo a nova Primeira-Ministra do Reino Unido, Theresa May, do Partido Conservador, disse o seguinte em seu discurso de posse (14/07/2016):

"Isso significa lutar contra a injustiça ardente de que, se você nasceu pobre, vai morrer, em média, nove anos mais cedo do que os outros.Se você é negro, é tratado com mais rigor pela Justiça criminal do que um branco. Se é filho da classe operária, tem menos chance de ir para a universidade. Se estiver numa escola pública, é menos provável ter as melhores profissões do que se você recebeu educação privada. Se é mulher, vai ganhar menos do que um homem. Se tem problemas de saúde mental, não tem ajuda suficiente. Se é jovem, vai ser mais difícil do que nunca ter a própria casa.".
Assad e Putin: A atuação do governo russo em favor do governo e do povo sírios foi fundamental para que o Presidente da Síria conquistasse importantes vitórias na guerra que os extremistas islâmicos (quase todos estrangeiros) iniciaram e que promoveu uma brutal destruição no país, provocando uma crise de refugiados que atingiu em cheio a União Europeia. Trump quer fechar acordos com a Rússia, pois sabe que isso irá liberar recursos substanciais para reindustrializar os EUA e investir na infra estrutura do país. 

Com este duplo fracasso do governo Obama (interno e externo), uma mudança de política por parte dos EUA tornou-se inevitável.


E é justamente este fracasso que explica a vitória de Trump. 

Embora Trump possua inimigos poderosos (CIA, Wall Street, Hollywood, Grande 
Mídia, Indústria Bélica, Esquerda Neoliberal e Pós-Moderna), que tentaram até mesmo impedir que ele tomasse posse da Presidência, ele também conta com o apoio de uma parte significativa das elites capitalistas dos EUA que estão plenamente conscientes do fracasso das políticas adotadas pelos governos d Bush e de Obama. 

Isso explica porque Trump nomeou tantos representantes do Grande Capital para ocupar cargos importantes em seu governo. Afinal, ele é um membro das elites capitalistas ianques mas, tal como muitos outros integrantes das mesmas, Trump se deu conta do enfraquecimento dos EUA no cenário mundial. Logo, não é à toa que o seu lema de campanha foi o de 'Fazer a América Grande Novamente'. Como eu já escrevi, o Trump é o Gorbatchev dos EUA e ele tentará promover mudanças no país a fim de fortalece-lo novamente. 

A luta promete ser dura e a se levar em consideração o que aconteceu com Abraham Lincoln e John F. Kennedy, o novo presidente dos EUA deveria se preocupar bastante com a sua segurança. 
Theresa May é a líder do Partido Conservador britânico e faz duras críticas às políticas neoliberais, que começaram a ser impostas pelo governo de Thatcher. Ela também anunciou que o Reino Unido fará uma saída completa da União Europeia. O Brexit mostra o quanto as políticas neoliberais são rejeitadas atualmente. 

Links:


A aliança entre China e Rússia e a Nova Globalização Inclusiva que derruba a hegemonia global dos EUA! 


http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2017/01/a-alianca-entre-china-e-russia-e-nova.html

A eleição de Donald Trump e o fim do neoliberalismo progressista - Nancy Fraser - 

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/geral/46163/a+eleicao+de+donald+trump+e+o+fim+do+neoliberalismo+progressista.shtml

EUA armaram o Estado Islâmico e se recusaram a ajudar governo da Síria na luta contra o grupo terrorista: 

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/37414/wikileaks+eua+armaram+estado+islamico+e+se+recusaram+a+ajudar+siria+no+combate+ao+grupo.shtml

Theresa May critica as desigualdades sociais no Reino Unido:

http://oglobo.globo.com/mundo/sem-falar-em-brexit-theresa-may-foca-discurso-em-justica-social-19708286

Dívidas dos estudantes universitários nos EUA ultrapassa US$ 1,3 trilhão:


Pepe Escobar: A Nova Guerra Híbrida do século 21:


Theresa May anuncia saída plena do Reino Unido da UE:


As Guerras Sujas dos EUA que matam milhares de inocentes pelo Mundo:


Vídeo - Documentário 'Guerras Sujas', de Jeremy Scahill (legendado em Português e na Íntegra): 

A aliança entre China e Rússia e a Nova Globalização Inclusiva que derruba a hegemonia global dos EUA! - Marcos Doniseti!

A aliança entre China e Rússia e a Nova Globalização Inclusiva que derruba a hegemonia global dos EUA! - Marcos Doniseti!
Xi Jinping e Putin lideram um projeto de Globalização Inclusiva, na qual todos os países participantes são beneficiados, algo que nunca aconteceu no processo de Globalização Neoliberal (liderado pelos EUA), no qual apenas os países ricos se beneficiaram.  

Se dependesse apenas dos EUA, do Japão e da UE, a economia global ficaria estagnada por muitos anos, pois são economias que crescem muito menos do que as dos países emergentes. 


Desde o estouro da crise neoliberal global de 2008/2009 que quase todo o crescimento econômico que tivemos no Mundo foi de responsabilidade exclusiva dos países emergentes, principalmente dos BRICS. 

Os BRICS estão, inegavelmente, ganhando cada vez mais influência no cenário mundial, principalmente a Rússia e a China. 

O Brasil também estava conseguindo fazer o mesmo (principalmente na América Latina e na África), durante os governos Lula e Dilma, mas o Golpe de Estado e a operação Lava Jato fizeram o país perder muito espaço no cenário internacional ao enfraquecer a Petrobras e as empreiteiras brasileiras, que estão entre as mais capacitadas do mundo.

Assim, não é à toa que Temer e Meirelles são praticamente ignorados nos principais eventos globais, como nas reuniões dos BRICS, do G20 e no Fórum Econômico Mundial (Davos). O fato concreto é que ninguém mais se importa com o Brasil, que diminuiu muito de tamanho no cenário mundial após o Golpe de Estado vitorioso em 2016. 

Mas é bom esclarecer uma coisa: A China defende o livre-comércio, sim, mas não defende as políticas neoliberais e de arrocho que foram impostas pelo FMI e pelo Banco Mundial. E o seu projeto de Globalização (Um Cinturão, Uma Estrada), que conduz junto com a Rússia, não é Neoliberal e tampouco Imperialista, como é o caso da Globalização Neoliberal que foi imposta pelos EUA nas últimas décadas (desde o governo Reagan). 
Dois dos principais projetos da Nova Rota da Seda serão ferrovias de alta velocidade (TGVs) que ligarão o Extremo Oriente (Rússia e China) com a Espanha, atravessando inúmeros países asiáticos e europeus.
A Globalização Neoliberal e os seus desastres!!

O FMI e o Banco Mundial foram instrumentos fundamentais da Globalização Neoliberal que Ronald Reagan e Margaret Thatcher impuseram ao mundo a partir da década de 1980. 

Já o modelo de Globalização defendido por Rússia e China não tem absolutamente nada a ver com a finada e falida Globalização Neoliberal.

Na época da Globalização Neoliberal, os empréstimos que as duas instituições (FMI e Banco Mundial) ofereciam a países em crise (América Latina, África, Ásia, Europa Central e do Leste) vinham acompanhados de uma série de exigências que arruinavam as economias destes países, tais como: 

A) Privatizações desnacionalizantes, como essas que estamos vendo o governo ilegítimo de Temer promover de forma acelerada (da Petrobras e do petróleo do pré-sal, em especial); 

B) Abertura unilateral da economia para investimentos, capital financeiro, produtos e serviços importados (originários dos países desenvolvidos, é claro);

C) Arrocho salarial e aumento de impostos, empobrecendo a população;

D) Reformas previdenciária e trabalhista, que são imensamente prejudiciais aos trabalhadores, aos mais pobres e aposentados; 

E) Cortes drásticos dos investimentos públicos (em infra-estrutura e na área social);

F) Extinção de políticas industrializantes.

Tais políticas aumentavam a concentração de renda, as desigualdades sociais, o desemprego, a pobreza e a miséria nos países que recorriam ao FMI e ao Banco Mundial. 
Um dos projetos da Nova Rota da Seda será a construção de um TGV (trem de alta velocidade) que ligará Pequim a Moscou. Ele terá 7000 quilômetros de extensão e o custo do projeto é de 'apenas' US$ 278 bilhões. 
A Globalização Inclusiva da China e Rússia!!

Já no processo de Globalização Inclusiva que é comandado pela Rússia e pela China não se faz nada disso. 


Vejam que o projeto da China-Rússia, que se chama 'Um Cinturão, Uma Estrada', irá disponibilizar US$ 900 bilhões em empréstimos para os países que aderirem ao mesmo e não irá impor nenhuma condição ou exigência para se poder liberar os recursos. E os países que fizerem tais empréstimos ainda irão pagar juros baixos e terão longos prazos para poder pagar os mesmos. 

Assim, a aliança China-Rússia defende e implementa um projeto de Globalização Inclusiva, que é muito diferente daquele (Neoliberal e Imperialista) que os EUA e o Reino Unido impuseram ao Mundo nos últimos 35 anos.

O projeto russo-chinês de Globalização é baseado no princípio 'ganha-ganha' (Pepe Escobar explica isso direto em seus textos), ou seja, todos os países participantes serão beneficiados pelo mesmo.

Os gigantescos investimentos que serão feitos em ferrovias de alta velocidade, oleodutos, gasodutos, sistema de telecomunicações, portos, aeroportos irão beneficiar a todos os países que se integrarem ao projeto 'Um Cinturão, Uma Estrada'.

Vejam o que Pepe Escobar escreveu em um texto publicado em Abril de 2015 no site 'Oriente Mídia' (ver link abaixo):

"A parceria estratégica em constante evolução não tem a ver só com energia – incluindo a possibilidade de investimentos controlados pela China em projetos russos cruciais de petróleo e gás – assim como na indústria da defesa; é cada vez mais assunto de investimentos, banking, finança e alta tecnologia.

O alcance da parceria é extremamente amplo, desde a cooperação Rússia-China dentro da Organização de Cooperação de Xangai, até a participação Rússia-China no novo banco de desenvolvimento dos BRICS e o apoio russo ao Banco Asiático de Investimentos em Infraestrutura, BAII [orig. Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB)] liderado pelos chineses, passando pelo apoio russo à Fundação Rota da Seda que os chineses controlam. Pequim e Moscou, com outros países BRICS, estão andando rapidamente em direção ao comércio independentemente do dólar norte-americano, usando suas próprias moedas.".

Enquanto isso, o falido e finado projeto de Globalização Neoliberal anglo-saxônico era baseado no princípio 'ganha-perde', com os países ricos ficando com todos os benefícios e os países emergentes sendo sugados de suas riquezas de tudo quanto é jeito, com os países desenvolvidos usando do FMI e do Banco Mundial como os instrumentos de imposição destas políticas, que arruinaram as economias de muitos países em todos os continentes, tais como a Rússia, Polônia, Argentina, África do Sul, entre outros (Naomi Klein explicou isso muito bem em seu livro 'A Doutrina do Choque').
A União Europeia enfrenta uma grave crise. Políticas neoliberais e de arrocho que são impostas aos países membros são rejeitadas pela maioria da população do bloco. Isso gerou a saída do Reino Unido, a derrota de Renzi no referendo italiano e a desistência de Hollande de tentar a reeleição na França.

Essa diferença entre os dois projetos de Globalização explica porque inúmeros países da Ásia, África e Europa irão participar do projeto russo-chinês de integração econômica. Até mesmo a Hungria, integrante da UE, já se associou ao mesmo. E o número de países africanos que deseja participar do 'Um Cinturão, Uma Estrada' é cada vez maior. 


O fracasso da Globalização Neoliberal!!

E o fracasso da Globalização Neoliberal é mais do que evidente por uma série de acontecimentos recentes, tais como:

1) A vitória de Trump na eleição presidencial nos EUA, derrotando a candidata dos Neocons e dos Neoliberais (Hillary);

2) A saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit);

3) A derrota de Matteo Renzi, primeiro-ministro que adotou políticas neoliberais e de arrocho em seu governo, no referendo realizado na Itália;

4) O rápido crescimento do M5S ('Movimento 5 Estrelas'), que é um partido italiano anti-neoliberal (que é liderado por um humorista, Beppe Grillo), e que foi o grande vencedor das eleições municipais italianas realizadas em 2016;
Frauke Petry lidera o 'Alternativa para a Alemanha', partido direitista, anti-imigrantes e xenófobo que cresce rapidamente no país. Ela é jovem, carismática, bonita e sorridente, mas defende que os militares alemães tem o direito de atirar em qualquer imigrante ilegal que tente entrar no território alemão. O fortalecimento de partidos como o liderado por Petry são um sinal mais do que evidente da grave crise pelo qual passa o projeto de integração europeu. 

5) O partido de Angela Merkel sofre sucessivas derrotas em eleições regionais na Alemanha, sendo que o partido que mais cresce é o 'Alternativa para Alemanha', de Frauke Petry, anti-imigração e xenófobo;


6) Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, irá para o segundo turno na eleição presidencial francesa deste ano.

Um Mundo Multipolar está nascendo!

Com todas essas mudanças que ocorrem no cenário mundial, a tendência é que o projeto de Globalização Neoliberal vá se esvaziando rapidamente, como já está acontecendo, e o projeto globalizante e inclusivo da Rússia e China vá se fortalecendo cada vez mais. 

Desta maneira estamos assistindo ao nascimento de um Mundo Multipolar, gostem ou não os Neocons e os Neoliberais e demais fãs e defensores do Imperialismo Ianque.

A verdade é que vocês fracassaram, neocons e neoliberais anglo-saxônicos.

Agora chegou o momento de vocês saírem de cena e deixarem o palco para os novos protagonistas globais: China e Rússia e a sua Globalização Inclusiva.  
Trump já ameaçou a Ford, Toyota, GM e BMW com a imposição de elevadas tarifas de importação (de 35%) caso elas insistam em construir fábricas no México e exportar a produção para os EUA. Como se percebe, Trump não está para brincadeiras. 

Links:

Pepe Escobar explica as origens da Nova Rota da Seda e mostra porque o Oceano Pacífico não é mais um 'lago anglo-saxônico':


Pepe Escobar: Nova Rota da Seda (da China) encontra a União Eurasiana (da Rússia):


China ambiciona o poder global com Nova Rota da Seda:


Primeiro trem de carga da China para a Grã-Bretanha chega a Londres:


Trump ameaça BMW com elevadas tarifas de importação se ela construir fábrica no México:


Maduro afirma que Trump não pode ser pior que Obama:


Vitória de Trump e o fim do neoliberalismo 'progressista':


Ricardo Bellino: De louco o Trump não tem absolutamente nada:


A expansão da Rota da Seda até o Ocidente e as suas implicações Geopolíticas:


Deputado da Croácia compara OTAN com a Alemanha Nazista e critica Imperialismo dos EUA:


Frauke Petry: A nova cara da extrema-direita na Alemanha:


O nacionalismo excludente ressurge na Alemanha:


Vitória de Trump representa a derrota de Wall Street:


Halford J. Mackinder - Visão Geoestratégica:


Primeiro-Ministro da França admite que Marine Le Pen poderá vencer eleição presidencial em 2017: